segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Do Outro Lado

A escrita muitas vezes traz nas palavras o momento do autor. Para muitos que não lidam com isso, pensam que é difícil sair deste método. Mas saibam que é possível, se não MUITO necessário.

Abrir a janela para ver o mundo. Colocar-se na posição de outras pessoas: um método complicado, pois exige compreensão individual em relação a tudo.

Mas vocês, que somente lêem e não escrevem, são autores do seu dia-a-dia, das suas atitudes. Por isso saibam que não precisamos ser escritores para fazer disso um costume necessário. Qualquer que seja a situação, precisamos de compreensão, e não há melhor forma de compreendermos os erros nos colocando sempre do outro lado da moeda, do outro lado da janela, enfim, na sensibilidade e vivência do próximo.

Antes de qualquer coisa é preciso alcançar a flexibilidade, e sobre ela poderia compor um próximo texto.

Marcello

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Diga

Palavras prisioneiras são palavras caladas.
Sem nada a dizer permanecem entaladas.
Energia que acumula e não muda, pois a mudança fica muda na força que não se escuta.
Cuidado para não utilizar errado este escudo, pois quem cala dá tiro no escuro.
Disparo certeiro, pega em cheio a faringe que incha e adoece na angústia não dita.

Coloque pra fora como uma enxurrada.
Lembre-se da mente aliviada de quem diz sem se preocupar com nada, pois quem fala liberta dor e alegria com palavras pensadas, ou não.
O importante é estar em paz.

Marcello

terça-feira, 22 de julho de 2008

Na Primeira Pessoa

Entendi a situação, mas a incompreensão me fez entristecer diante daquela embalagem que flutuou ao vento. Foi um ser desumano que me fez entrar em pensamentos agressivos, ou sem sentido, pois ainda não entendi a janela que teve sua paisagem transformada em boca de lixo.

Naquele veículo em movimento, pessoas de todas as culturas se encontravam. E ainda me pergunto: por que ao meu lado sentou alguém sem amor, nem preparo para usufruir da vida, da natureza. Será por que eu seria o único a questionar tal atitude? Quero acreditar que não. Mas na vida nada é por acaso, e os sinais estão por toda parte.

Não abordei, nem mesmo disse uma palavra. Mas instintivamente minha cabeça balançou, reprovando. Este foi um grito interno, mas ninguém ouviu a não ser meus anjos, que ali me seguraram para não emitir nada mais. Pois com tal ignorância sentada ao meu lado, sabe lá o que poderia acontecer se algo fosse dito para ser escutado. Na verdade eu estaria me igualando, rebaixando-me à sua linguagem.

Com a cena em mente, acho que o mínimo que ainda posso fazer é levar de alguma forma esta reflexão em frente. E, para me confortar, penso: Deus sabe o que faz.

Marcello

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Mentira Verdadeira ou Verdade Mentirosa

Para cada caso uma explicação.
Para cada explicação uma verdade.
E, para cada verdade uma versão.

Dessa forma, muitas verdades são mentiras.
Mas e uma mentira poderá ser verdade?
Bom, se alguém mente é porque possui a verdade.
Assim, na mentira está a verdade.

Marcello

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Merecimento

Certamente correr atrás de grandes objetivos é o início de tudo. É muito necessário correr! Mas se descobre pelo caminho que a velocidade da correria em nada implica na antecipação para que as coisas aconteçam.

A conclusão de uma batalha não é definida pela velocidade que damos aos dias, mas sim por nosso merecimento. O tempo das coisas parece ser definido por outra força que nos observa e nos coloca à prova de um merecimento. Por isso, vejamos a correria como uma ferramenta para focarmos nossa energia em uma alegria, algo que trará felicidade.

Se pararmos, esta força também pára. Se utilizarmos soluções maléficas para atalhar, esta força prolonga em mais de três vezes a chagada até o ponto final. Se persistirmos no erro, jamais chegaremos. E assim vai...

As coisas acontecem por merecimento no seu tempo certo, de acordo com a fé somada às boas atitudes, contribuindo para o universo. Assim é que conquistamos o nosso espaço onde quer que seja.

Marcello

sábado, 5 de abril de 2008

Fora de Campo

Como um jogo, há quem utilize a sua tristeza para influenciar outras pessoas. Talvez inconscientemente, mas o fato é: quem desconhece as regras desta partida, acaba por entregar os pontos. O resultado está no envolvimento exagerado em um problema que não nos pertence.

Estar bem ou mal representa a oscilação diária da nossa emoção. Uma energia que altera conforme os ambientes e as pessoas ao nosso redor. Se não estivermos preparados a defender o nosso campo, podemos perder sem mesmo perceber o adversário.

A estratégia faz parte de qualquer batalha, portanto, neste caso, o reforço deve vir da defesa. Se estivermos no ataque, as freqüências se somarão, favorecendo o oponente que ataca se aproveitando do nosso despreparo. Por isso, manter a tranqüilidade torna-se fundamental para obter equilíbrio, defendendo-se das más energias que procuram se alimentar da ingenuidade.

Neste jogo a vitória está no 0x0. Não há envolvimento. A defesa deve estar presente na intenção de sempre recuar. E, para quem ataca, boa sorte. Desejemos que tire seu time de campo enquanto houver tempo, pois chega um ponto em que acaba por desafiar a si mesmo. Nas profundezas das emoções provocadas, a fim de se aproveitar daqueles que desconhecem as regras.

Marcello

quinta-feira, 13 de março de 2008

À Frente

“Saiam da frente!” Esta foi a mensagem que surgiu de dentro. Arrancou numa velocidade que explodiu ao sair da caverna, onde o eco emitiu em alto e bom som ao se libertar das nossas bocas.

O horizonte prejudicado, obstáculos atrapalhando a paisagem. Mas nesta corrida o objetivo é sermos todos vencedores. O meu primeiro lugar também é seu. Quem não nos vê ao lado, na mesma linha que ultrapassa o impedimento, não tem compreensão de alma.

“Saiam da frente!” Quem não nos vê, que saia da frente. Antes que a coragem os derrube, mostrando que a frente é livre, o nosso lugar.

Vamos à frente!

Marcello

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Desvio

Desejos e sonhos também se alteram conforme as mudanças de uma cultura transgressora. Agora, além de um status bem sucedido, queremos novamente as coisas simples e que não tinham o seu devido valor quando as tínhamos gratuitamente.

Queremos andar na rua de madrugada, tendo a segurança para apreciar as estrelas e o luar. Queremos passear de carro, transporte público sem precisar pensar em coisas negativas. Queremos parar na sinaleira e não precisar dizer “não” a uma criança que vende bala para a sua mãe sentada na calçada. Queremos tantas coisas, sentimentos que antes existiam mas pareciam ser muito pequenos, justamente porque existiam.

Hoje, situações extintas pelo tempo começam a mostrar o seu valor de forma inversa. Ou seja, não com a sua materialização, mas sim com a sua ausência que implica na materialização do seu oposto e que é, sim, assustador. Isso vai desde a violência com a falta da tranqüilidade que nossos avós tinham, os gastos públicos, que nossos avós tinham mas era um gasto mais justo, o verde da mata e a água límpida, que nossos avós também tinham em grande volume, e hoje a gente respira e bebe os seus farelos.

Um caminho estranho, pois desviamos da linha reta. Entramos em uma curva que hoje retorna ao nosso ponto de início através do desejo. Uma volta transgressora que não nos faz viver a saúde antiga, mas nos faz sentir na pele a saudade através da imaginação. Pois poderíamos ter tudo isso e mais um pouco. Poderíamos ser netos mais felizes de uma nação. Mas hoje ela conta com a esperança de uma geração.

Um dia há de chegar! E reconstruiremos o império natural e as histórias que ouvíamos quando crianças.

Marcello

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Combatente

A gente se surpreende.
Acha que entende, e muitas vezes se arrepende.
Mas para qualquer combatente, não há nada melhor que perder sorridente na tentativa do acerto.
Pior seria não enfrentar os medos e arrepender-se sem agir enquanto ainda houvesse tempo.
Por isso o melhor é sofrer na luta do que no descanso.
Para quem luta, os acertos ainda fazem parte dos planos.
E para quem fica, o que resta é o adeus ao tempo que não volta e nos mostra quantos se perdem no engano.

O momento é agora.
Combatente que demora, chora por arrepender-se sem tentar.
E o tempo ainda virá aos combatentes com vida sofrida, mas rica por administrar o seu tempo.
E se for para se arrepender, que seja por um quase acerto.

Marcello